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Jaguariúna, 9 de Setembro de 2010

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ACORDOS SALARIAIS

Economia aquecida, salários maiores; superiores à inflação em até 4%

 


"Trabalhamos com perspectiva de crescimento econômico de 5% a 6% neste ano, e isso eleva a disputa por mão de obra, pressionando os salários", diz o diretor do Dieese

Trabalhadores com data-base de reajuste em janeiro e fevereiro fizeram acordos salariais melhores do que os do ano passado, com ganhos superiores à inflação em até 4%. Esse é um dos resultados do aquecimento da economia.
 
Em 2006, 86% dos acordos estabeleceram reajustes superiores à inflação, porcentual que chegou a 88%, em 2007, e declinou para 78%, em 2008, com a crise global. Em 2009 a maior parte dos acordos apenas preservou os salários reais.
 
Até agora, em 2010, foram poucos os acordos e não envolveram as categorias maiores, como metalúrgicos do ABC e bancários. Mas o ambiente de negociação é favorável, disse ao jornal Valor o diretor do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.
 
"Trabalhamos com perspectiva de crescimento econômico de 5% a 6% neste ano, e isso eleva a disputa por mão de obra, pressionando os salários".
 
Os empregados da construção civil na Bahia obtiveram reajuste de 8% - quase o dobro da inflação de 4,11%. Com a demanda aquecida e o crédito farto, o setor imobiliário liderou o emprego formal (+11,3%, em 12 meses).
 
O crescimento disseminou-se, beneficiando mais regiões e setores, alcançando indústrias têxteis, calçadistas, de móveis e de cerâmicas e segmentos do comércio. Os comerciários do Ceará tiveram aumento nominal de 7,75%. O piso foi de R$ 465 para R$ 560, acima do mínimo de R$ 510.
 
Também foram favoráveis os acordos no segmento de artefatos de couro de Franca (SP), na indústria de cerâmica, construção civil e fibrocimentos da região de Criciúma e da área têxtil de Joinville, em Santa Catarina (SC).
 
Em alguns casos, a melhora salarial beneficiou os recém-admitidos, que começam a trabalhar com vencimentos iguais ao daqueles que já ultrapassaram o período de experiência.
 
Em Jaraguá do Sul (SC), 18 mil metalúrgicos terão reajuste de 6%, com ganho real de 1,89 ponto porcentual, acima do ganho real de 2009, de 1,67 ponto porcentual.
 
Essa é uma região onde se localizam grandes empresas, com atuação local e internacional, o que mostra que mesmo exportadores conseguem aumentar a produtividade e fazer concessões salariais.
 
A recuperação beneficiou setores que enfrentaram grandes dificuldades, como o calçadista e o moveleiro.
 
Em Sapiranga (RS), os calçadistas obtiveram aumento real de 1,72%, acima do 0,98% do ano passado. E em Bento Gonçalves os trabalhadores do setor moveleiro terão reajuste de 5,75%, com ganho real de 1,33 ponto porcentual.
 
Fonte: O Estado de S.Paulo
 
 
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